20 jul

Você gosta de Cenoura? – Ali Dias

Hoje é o dia mundial do rock bebê! O que leva a pensar, que não sou muito fã de rock hehe, porém, gosto é gosto não é mesmo? Cada um gosta daquilo que apetece, que lhe mais chama atenção, ou ainda que represente algo para si. Tem gente que gosta de funk, tem gente que gosta de soul, brega, tecno, pop, e por ai vai. Eu particularmente não sou muito dada a ouvir rocks. “Meus gostos são peculiares, vocês não entenderiam” (eu tinha que fazer essa referência, desculpem a leitora compulsiva e não desistam de mim heuheuhe).

Gostar de um tipo musical, é o mesmo que gostar de alguém sabe, ou o mesmo que gostar de comer queijo sem goiabada, ou morar em Minas, como é o meu caso e não gostar de pão de queijo, não, não gosto nenhum pouco, a única diferença é que quando você se apaixona você não escolhe, isso só acontece. Meio contraditório esse negócio, mas vamos tentar entender.

Li um livro intitulado “O coelho Diferente”, ele, o coelho não gostava de comer cenoura, todos e seu mundo comiam cenoura, e ele era excluído de seu grupo social e familiar por não gostar de cenouras. Ele havia experimentado e não tinha se agradado deste pequeno legume. Agora vamos trazer para nossa vida.

Nós somos os coelhos, a cenoura é a heterossexualidade, e o mundo do coelho é o nosso, a sociedade, a família, o trabalho, os estudos. Nós somos o coelho, que é obrigado a gostar de cenoura, por esse ser o costume, o “normal”, mas ninguém é obrigado a gosta daquilo que não quer. Se você não gosta de “cenoura”, não precisa “comer”, você passara por um processo de aceitação, incorporação de seu novo gosto na sociedade e depois será aceito ou não. O coelho no final da história foi aceito como ele é por sua família e amado ainda mais por ser diferente.

Isto é o que queremos para nossa vida, que sejamos amados por sermos nós mesmos, o que muitas vezes não acontece, mas isto será tema de uma próxima história. Se você sente que não gosta de algo, não precisa necessariamente provar para ter certeza, eu não gosto de frutos do mar, nem por isso já provei, e não provarei, sim, “desta água não bebereis”.

Se você não gosta de rock, se não gosta de cenoura, se não gosta disso ou daquilo, você tem o direito de não se sentir bem, confortável e assumir uma nova postura, que te faça feliz, se sentir bem consigo mesmo e perante os outros. Ninguém pode dizer que você está errado por não gostar de cenoura, mesmo sendo um coelho. Por um mundo onde ser coelhos diferentes, seja possível. Até a próxima.

Nota: Esse post era para o dia do rock , mas por motivos da editora estar viajando ficou para hoje. Mas, o rock deve ser comemorado todo dia,né? rs

10 jul

Nosso Deleite – Luar Poetisa

Se não quer que eu fale,

me cale,

em um beijo gostoso.

Logo após me seduza,

arranque minha blusa,

sem que eu espere.

 

Espere…

Me pegue de surpresa,

com certeza eu vou gostar.

 

Amar…

É o que me basta.

Arrasta,

para bem longe a tristeza.

E, sobre a mesa,

deixe esfriar o jantar.

Venha me amar.

 

Me tire do tédio absurdo.

Me leve para seu mundo,

onde eu gosto de estar.

 

Hoje não haverá pudores,

gargalhadas, gritos, horrores,

vamos nos soltar.

 

Me solto…

Me jogo em seus braços.

Olhares, sussurros e abraços.

Cheiro do deleite no ar.

 

Em corpos unidos nos aquietamos,

Nosso deleite estar por findar.

Por hora e horas nos amamos.

O sol não demorar a brilhar.

07 jul

Uma Mulher Misteriosa – cap. final

No dia seguinte Alice ligou para a empresa avisando para Carmem que Marcela levaria a tia na casa delas à noite para jantar. Depois de contar, sorriu comentando maldosa.

– Parece que Marcela tem pressa! Coitada, está há muito tempo sozinha.

– Pois é.

– Correu tudo bem no passeio de vocês ontem, não foi?

– Sim. Fui uma moça muito respeitável como a senhora sugeriu.

– É por isto que ela vai trazer a tia. Olha Carmem, você tem que tratar Marcela muito bem, viu?

– Pode ter a certeza que vou tratar. Vemos-nos à noite.

À noite, Carmem tomou um banho caprichando no visual para agradar Marcela. Quando desceu a mãe estava cuidando dos últimos detalhes para o jantar. Carmem serviu um drinque sentando na sala. Alice apareceu olhando-a com um largo sorriso

– Está tudo pronto para recebermos Marcela e a tia dela.

– Ainda bem. Senta aqui comigo, por favor.

– Aconteceu alguma coisa, Carmem?

– Não aconteceu não, mãe. Só quero resolver um assunto com a senhora.

Alice sentou encarando Carmem curiosa.

– Do que se trata?

– Marcela me ligou hoje. Disse que estamos livres da dívida que temos com ela. Quer devolver o cheque e não deseja receber a dívida que temos com ela.

– Não! Está falando sério?

– Ela disse que era para falar com a senhora.

– O que isto quer dizer? Ela quer que você fique presa a ela para sempre?

Alice questionou confusa.

– Não. As coisas mudaram. Ela apenas não quer receber. Acho que está arrependida do que fez.

– Talvez seja o momento de ir até lá e enfrentar essa mulher de uma vez por todas. Vou resolver logo isto. Agora preciso correr na cozinha.

– Vai.

Quando a campainha tocou Laura estava descendo. Alice apareceu apavorada na sala.

– Será que está tudo bem? Não me esqueci de nada.

– Mãe? Relaxa! Está tudo bem.

Carmem sorriu junto com Laura.

– Vai correr tudo bem.

A criada apareceu neste momento com Marcela e a tia Telma. Alice abriu os braços indo cumprimentá-las. Carmem agiu com Telma como se não se conhecessem. Quando tocou a mão delicada dela, seus olhos caíram imediatamente no anel que ela usava. Era a cópia exata do anel de Maria Dantas. Lembrou-se das palavras exatas dela.

“Também tenho uma mulher, mas ela não vive no Brasil”. Soltou a mão de Telma, observando-a enquanto ela sentava no sofá ao lado de Marcela. Seus olhos se encontraram. Alice sugeriu querendo aproximá-las mais.

– Marcela? Por que não ajuda Carmem com os drinques?

Foram juntas para o bar. Carmem ficou de costas. Uma música suave tocava naquele momento. Marcela sorriu comentando ao lado dela.

– Você está linda de morrer hoje.

– Obrigada. Tudo para você.

– Nossa! Assim você me mata de felicidade.

– Quero matar de desejo também.

– Tão cruel. Isto não se faz.

Carmem passou a língua pelos lábios provocando-a.

– Você gosta.

– Adoro, Carmem.

– Será que você não se esqueceu de me contar sobre Maria Dantas?

Marcela abriu mais os olhos perguntando surpresa.

– O que tem ela?

– É a mulher da sua tia não é?

– Sim, mas…

– Também trabalha para você. Colocou-a na minha empresa para me vigiar. Achou que eu não seria capaz sozinha.

– Não a coloquei na sua empresa para te vigiar.

– Ah, não? Então porque a colocou lá?

– Para modernizar a sua empresa. Para que mais seria? Ela percebeu de imediato a sua competência.

– Sempre achei que havia alguma coisa estranha com ela.

– Não existe nada de estranho com a Maria. Ela é a supervisora de toda a linha de produção da minha companhia. Eu a mandei para lá porque queria que ela te ajudasse. Não culpe a ela, culpe a mim. Se você acha agora que o meu amor e cuidado contigo foi pouco, basta me falar que eu tentarei fazer melhor.

– Não estou me queixando. Estou esclarecendo o que você não me contou.

– É que existem coisas que são óbvias demais.

– Tem razão e eu não sou burra, por isto, trate de tirar aquela mulher de preto do meu encalço. Se não tirar vou dar uma cantada nela. Entendeu, Marcela?

– Ah, Carmem! Essa foi boa. Ela só cuida da sua proteção.

– Agradeço, mas não preciso de proteção.

– Carmem…

– Não estou brincando.

– Tudo bem. Você é que sabe. Estou feliz que tudo esteja claro e resolvido entre nós.

– Está sim. Vamos levar os drinques?

– Vamos.

A noite foi perfeita. Jantaram, conversam e riram em um clima muito feliz. Quando foram embora, Alice foi levá-las até o carro.

Laura encarou Carmem perguntando surpresa:

– Mãe comentou que contei para ela que sou lésbica?

– Ainda não. Que bom que o fez.

– Fiquei surpresa com a reação dela. Pensei que daria uns gritos.

– Eu te falei, mamãe mudou. Tornou-se mais compreensiva. Também, depois de tantos problemas.

– Tem razão.

– Rezamos para que Ricardo não seja gay também.

As duas caíram na gargalhada.

– Essa foi ótima! Recebi sinal verde para trazer Anne para jantar aqui.

– Ótima notícia! Estou feliz por você, Laura!

– Obrigada! E você e Marcela? Estão se entendendo bem?

– Sim. Estamos nos entendendo muito bem.

– Não sei como deixou mamãe arrumar uma namorada para você. Eu jamais aceitaria isto. Não estou te reconhecendo.

– Não deixei mamãe arrumar namorada nenhuma para mim. Essa mulher que acabou de sair é a mesma que todos pensam que é um monstro deformado. Uma vampira, lembra? Mamãe ainda não sabe, mas vai saber. Sou completamente louca por ela. Eu escolho a minha mulher. Entendeu?

– Está dizendo que…

– Estou dizendo que essa Marcela é Marcela Alvarez! Minha vampira se preferir assim!

– Mal posso acreditar! Estou boba com essa!

– Acredite. Ela é o amor da minha vida. Agora vou dormir, boa noite!

– Boa noite, Carmem!

Alice não estranhou quando Marcela apareceu para jantar novamente no dia seguinte. Desta vez Carmem a convidou para conhecer seu quarto quando terminaram de jantar.

Notas da autora: O velho golpe de conhecer o quarto.

Confusa Marcela fitou Alice perguntando incerta:

– Não se importa que eu vá conhecer o quarto de Carmem?

– É claro que não. Vá minha querida! Fique à vontade aqui em casa.

Alice respondeu cheia de sorrisos.

– Vocês são jovens e devem aproveitar a vida.

Subiram juntas na mesma hora. Quando chegaram ao quarto, Carmem abraçou Marcela beijando-a apaixonada.

– Não via a hora de sentir a sua boca.

– Eu também. Nem acredito que estou no seu quarto.

– Marcela, nem sei o que falar, você foi tão inteligente conquistando a minha mãe.

– Fui não fui? Pois é, mas não imaginei que nos tornaríamos amigas.

– Foi melhor assim. Eu te amo tanto.

– Ter o seu amor era o meu sonho. Amo você, Carmem Santiago. Você é a mulher da minha vida.

Notas da autora: You’re the woman of my life. Tu es la femme de ma vie. Em qualquer idioma, isto é lindo de ouvir.

Carmem sorriu caindo com Marcela na cama. Segurou o rosto dela confessando:

– No início senti tanta raiva de você. Mal acreditava que estava me sujeitando às suas vontades.

– Eu fui terrível, eu sei. Perdoa-me.

– É claro que te perdoo, amor. Você não sabe, mas depois, quanto mais fazíamos amor, não houve um dia em que eu não ansiasse em voltar correndo para os seus braços.

– Ah, Carmem! Poderia ter me confessado isso antes.

– Não, não consegui confessar. Mas te amei muito em todos os momentos em que estivemos juntas. Agora estamos aqui, na minha cama, e é inacreditável. Parece um sonho.

– É mesmo, por isso vamos tratar de aproveitar.

Marcela respondeu beijando-a apaixonadamente colando seus corpos.

No dia seguinte Alice Santiago seguiu pelo mesmo corredor que Carmem atravessou até chegar à sala de Marcela.

A secretária abriu a porta anunciando:

– A Senhora Santiago está aqui!

Marcela abriu as cortinas até a sala ficar completamente iluminada. Voltou-se vendo Alice abrindo a boca completamente chocada à sua frente.

– Você?

Alice perguntou incrédula.

– Bom dia! Sente-se, por favor!

– Como pode ser isto? Você é…

– Sim, eu sou Marcela Alvarez!

Confirmou apontando a cadeira, sentando diante dela.

– Entendo a razão que a fez me temer tanto. Todas as coisas absurdas que falavam sobre mim por aí e a situação difícil entre Carmem e eu, pude imaginar seus receios. Nós não previmos que poderíamos nos apaixonarmos perdidamente, contudo, foi o que aconteceu. Eu amo Carmem e vou procurar fazê-la a mulher mais feliz deste mundo.

– Oh… Não poderia imaginar uma coisa destas, não que você a amasse.

– Sim, eu amo. Carmem também levou um choque quando fui jantar na sua casa. Não contei a ela que a conheci no hospital. Muito menos sobre os seus desabafos. Nunca contarei sobre as coisas que a senhora me disse em particular.

– Como você pôde me ouvir sem revelar quem era?

– A senhora estava tão frágil, como eu poderia tê-lo feito?

– Pensando por este lado.

Alice sorriu começando a relaxar.

– Não pense que me senti bem não revelando quem eu era. A situação apenas fugiu ao meu controle.

– Sim, estou entendendo. Neste momento acho que foi melhor que tenha acontecido assim. De outra forma talvez eu nem quisesse te ouvir caso tentasse falar comigo sobre o seu amor pela minha filha.

– Eu também acredito que de outra forma a senhora não me daria ouvidos e se desse, provavelmente não acreditaria em mim.

– É bem possível.

– Está bem, mas a senhora veio resolver a questão do dinheiro?

– Vim sim. Também iria te mandar ficar longe da minha filha. E agora não quero mais que você se afaste dela. Eu distingui a verdadeira Marcela e estou feliz por poder não julgá-la como vinha julgando.

– Obrigada. O dinheiro não me interessa. Só quero viver em paz com Carmem.

– Entendo muito bem.

– Quero continuar sendo a sua confidente se ainda confiar em mim. A verdade é que eu vivia pensando numa forma de convencê-la de que eu não era a mulher horrível que comentam. Sabia que não gostava de mim. Quando nos tornamos amigas, acreditei que a faria me ver com outros olhos. Nunca tratei Carmem como uma prostituta, juro que não. Eu a amei dia após dia. Quero agradecer por ter me aceitado em sua casa.

Alice sorriu comentando animada.

– Pois muito bem, então vamos esquecer o dinheiro. Temos que decidir onde vocês duas vão viver. Queria muito que fosse lá em casa. Carmem me dá muita força. O que você acha?

– Não pretendo afastar Carmem da sua vida. Quero que entenda que precisamos de privacidade. Carmem e eu vamos conversar com calma sobre essa questão. Eu já pensei muito. Só preciso saber a opinião de Carmem.

– Claro! Só achei que estando tão apaixonadas…

– Estamos. Foi doloroso quando Carmem voltou para casa. Eu quero estar onde ela estiver.

– Tudo bem Marcela. Só resta me desculpar pelas coisas terríveis que andei falando sobre você. Eu sinto muito.

– Não se preocupe. Não levei nada daquilo em consideração. Coloquei-me no seu lugar enquanto a ouvia. Se eu fosse mãe, sentiria a mesma revolta que a senhora sentiu.

– Obrigada por entender. Só desejo então te pedir uma coisa.

– Peça.

– Faça Carmem feliz.

– Eu farei. É o que eu mais desejo. Agradeço muito por compreender o meu lado.

– Eu compreendo sim. As portas da minha casa estarão sempre abertas para você. Agora eu vou indo. Até logo!

– Até logo!

Carmem ouviu com atenção Marcela contando do encontro com sua mãe. Estava deitada na cama dela completamente relaxada.

– Ela ficou mais relaxada depois que contei que eu te amo.

– Você foi muito esperta. Meus parabéns! O que importa é que ela ficou descansada. É uma preocupação a menos para D. Alice.

– Não podemos esquecer que a filha dela conquistou uma milionária.

– Ela sabe que só preciso do seu amor.

– Eu também só preciso do seu amor, Carmem.

– Agora você faz parte da família.

Carmem lembrou sorrindo enquanto beijava os lábios de Marcela.

– Que delícia te beijar, Marcela. Adoro meu amor.

– Eu também…

– Vamos morar juntas ou vamos ficar como estamos?

– Eu pensei, que se você quiser, posso morar com você na casa da sua mãe até o seu irmão voltar à realidade. Também porque eu sei que ela sofre muito com o estado terminal do seu pai. Depois você vem morar comigo o que acha?

– Acho ótimo assim. Minha mãe vai ficar mais sua fã do que já é.

– Se eu posso agradar as duas, por que não? Só não abro mão de ficar com você.

– Então me faça feliz agora. Faça amor comigo, Marcela Alvarez.

Carmem pediu baixo enlaçando o pescoço dela.

– Faço sim. O que eu mais quero é te amar agora, depois, todo o tempo que pudermos.

– Marcela, meu amor… Eu te desejo demais.

Notas da autora: Obrigada a todas as leitoras que acompanharam as postagens dos capítulos.

Até mais! Abraços!

Astridy Gurgel.

                                               Fim.

06 jul

Adoção para quem? – Ali Dias

Ser homossexual é bastante complicado, é o que nos dizem, seria mais fácil se seguíssemos o padrão comum da sociedade, mas o que é ser comum, em uma sociedade tão incomum? Passaria horas aqui dissertando sobre todas as normas sociais que se desviam do que é ser correto. Não é meu objetivo. Recentemente vi uma reportagem de um casal homoafetivo que adotou uma criança com problemas motores e de socialização. Isso permaneceu em mim durante um tempo, o que me levou a dialogar por aqui com vocês.

Bem, segue o padrão familiar – mãe, pai, filho – mas quando essa criança não tem nenhum dos dois, ou um outro familiar que a queira, o que resta são os lares de acolhida, alí eles irão permanecer até para serem adotados ou quando não ocorre atingir a maior idade. Quanto mais novos, brancos, saudáveis forem maiores as chances. O “normal” é pertencer a uma família ou Pertencer a um lar adotivo? A segunda opção se for considerada em números deveria ser o “normal” então, porém ela não é.

“Iguais não fazem filho, porém adotam o que diferentes jogaram fora!”, quem não leu esta frase pelas redes sociais? O que chega a ser dolorido. Se todos nós somos iguais, perante a lei, e seguimos as normas sociais de um estado, por que nos é tirado o direito em sua maioria de adotarmos? Quais são as convenções sociais que nos limitam, e fazem um casal heteronormativo terem prioridade na fila de adoção? A menina que foi adotada, tinha 7 anos na época, há 2 anos atrás, foi um processo relativamente mais prático, mas por que?

Se fosse uma criança branca, mais nova e saudável, seria “fácil”? Todas as crianças merecem um lar, avançamos em alguns graus no respeito as diferenças, na adoção, no preconceito, mas ele ainda insiste em estar ali, próximo de nós, do outro lado da rua, dentro da nossa casa. O que não podemos é desistir, esse casal fez a diferença na vida de um ser que necessitava de muito mais do que apenas um lar, amor, a maioria das crianças e adolescentes em lares de apoio pedem amor, minha experiência na área também comprova isto.

Que nossa medida, seja a de não desistir, mas de insistir, para que o comum, seja revisto, para que todos tenham oportunidade por igual, para que possamos fazer valer nossa representatividade, nossos valores, ideias, e que estes possam fazer a diferença para nós mesmos, para os outros e para nossos filhos.

05 jul

Dias de inverno – Fenix Poetisa

Quando eu te encontrei, nem eu mesma percebi

que por você eu iria de verdade, me apaixonar.

Você foi entrando na minha vida tão mansamente

que mesmo que eu quisesse, não poderia me esquivar.

Meus dias com você se transformaram em sol radiante,

com luz e calor próprios de manhãs quentes de verão.

Por você eu descobri rimas novas, fiz poemas.

Através desse sentimento eu vivi um clima de suave sedução.

Eu fui me entregando de uma forma tão pura e bela

que todos podiam notar a mudança que ocorreu.

Meu sorriso vivia aflorado em meus lábios,

contigo eu era feliz até nos braços de morfeu.

Mas de repente o meu céu ficou nublado,

e tudo que sonhei desmoronou, ruiu.

E isso aconteceu quando você chegou e me disse:

Amo outra pessoa! Disse adeus e partiu.

Hoje sigo qual cego tateando nessa solidão,

busco em outros braços o seu calor,

meus lábios já não trazem nele o antigo sorriso,

meus dias são de inverno e sem cor.

Eu que julguei que seria feliz ao seu lado,

descobri que sem você meu mundo fica deserto.

Percebo agora que tudo somente se iluminava e floria

por eu tinha você sempre por perto.

E hoje nessa solidão que eu me encontro,

tento sobreviver mesmo sem conseguir te esquecer.

Seu nome eu sussurro abraçada ao meu travesseiro,

soluçando reconheço que sem você não sei viver.

 

29 jun

“Hematomas” – Ali Dias

            Irei dançar aqui onde resido, pela Cia de Dança que faço aulas, sim, Ali, é bailarina (a gente tenta rsrs), uma coreografia estilo contemporâneo, o resultado de toda essa estripulia artística, são os hematomas que estão pelo meu corpo. Para quem acha que dançar não sofre, eis a verdade, dói, sangra, é exaustivo, mas no final a arte faz tudo valer a pena. Bem, o que vem depois quando as “manchas” são vistas por outros que não estão acostumados a ver, ou não imaginam que onde as consegui, são as perguntas.

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