18 jan

Quase uma carta – Duda Abelenda

recife, novembro de 2017

a.,

não sei há quanto tempo adio esta mensagem, escrever é uma forma de reencontro; com você, comigo. tentei evitar ao máximo este confronto, mas, hoje, enquanto me perdia nas voltas que o ônibus dava, foi inevitável querer te contar de como lembrei de nós duas ao passar pelo são luiz. ali, na aurora, as memórias me vieram em looping. era dia, mas o cenário continuava o mesmo – um pouco mais ruidoso que o habitual, confesso. o carrinho de pipoca ainda descansava na esquina com a conde da boa vista, o mesmo frenesi em frente à bilheteria, acho que estava acontecendo alguma sessão extra, talvez uma dessas pré-estreias fechadas para convidados ou daqueles filmes bons que a gente só fica sabendo depois que perde a oportunidade de assistir. quase na curva da ponte do capibaribe, eu ainda conseguia te ver brigando com o vento pra chegar primeiro à pipoca. talvez, nada esteja mesmo no lugar desde aquele domingo de agosto, mas é que tem instantes que congelam e todo o resto parece não passar de uma moldura pro momento exato em que você estava ali. me entende? é quando eu posso claramente te ouvir falar de como gostava daquele lugar, desde a conserva do letreiro original, num vermelho surrado, até a sensualidade da cortina compassada ao revelar uma tela discreta, que parecia não querer chamar atenção – você não dizia, mas eu escutava que era sobre você -, e tua boca só silenciava para aproveitar a mágica dos vitrais, que assumiam a cena ao apagar das luzes. e, depois, você me contava da trilha sonora, e me questionava o enredo, e falava das personagens com uma verdade tão bonita que eu não sabia dizer nada além de consentir com a cabeça e pensar no quanto a dança dos teus lábios me prendia a ponto de tudo ao redor anoitecer sob o clarão das luzes já acesas. desculpa, borrei um pouco o papel, é que o motorista freou em cima do semáforo e a caneta acabou escorregando pelas linhas. como num lapso, volto à imbiribeira e me sinto no momento em que você ajustava o volume do som para reclamar de como a palavra semáforo era dispensável e feia, “por que não usam sinal, farol…?”, você sugeria; eu nem tinha certeza se semáforo era mesmo um termo tão deslocado assim, mas, a partir dali, eu concordava, e comecei a achar um tanto cafona, até hoje me enrolo toda ao tentar falar rápido, tem que sair pausadamente, silabado, é o que acontece: se-má-fo-ro aberto, preciso ir.

d.

08 dez

Vontade ferrenha | cap. 1 – Astridy Gurgel

Sinopse: Diferente de muitas crianças que almejam constantemente ganhar brinquedos, Layse Cardoso anseia unicamente por ter uma mesa farta. A desventura que assola o seu lar é muito mais do que ela poderia compreender. Então, a menina cresce com uma vontade ferrenha de melhorar a sua vida e a da sua família. Por mais que a sua existência lhe pareça injusta, Layse tem a certeza de que os maiores tesouros que possui são: o afeto dos pais e o amor secreto que alimenta por Valentina Lemos. Assim sendo, Layse passa a viver motivada pelo desejo de se tornar alguém na vida e conquistar o coração de Valentina. Leia mais

07 dez

Descoincidências – Paula Curi

Sentada aqui  olhando para o note aberto , quando dei por mim estava a vagar pensando na minha vida . Infalivelmente quando vai se aproximando do fim de um ano costumo fazer um balanço de tudo, e quando digo tudo me refiro a tudo mesmo. Lembro do planejamento que fiz lá no começo, das pessoas que estavam comigo e do que eu tinha certeza que iria realizar. Mas , o tempo me mostrou que muitas vezes ele conduz a  vida de uma maneira que o certo e errado acabam por serem revelados.

Olhando vejo que nem 5% do que planejei realizei , e ainda diria que os 95% foi improvisado com que eu fui tendo em mãos. Durante o caminho pessoas que estavam perto ficaram longe e próximas outras que viviam longe, presentes inesperados recebi enquanto uns que estavam guardados dei, vi todas as cores do amor e senti o cinza do ódio , quis desistir e em seguida quis conquistar; e dessa maneira os dias foram sendo vividos. Leia mais

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