06 jul

Adoção para quem? – Ali Dias

Ser homossexual é bastante complicado, é o que nos dizem, seria mais fácil se seguíssemos o padrão comum da sociedade, mas o que é ser comum, em uma sociedade tão incomum? Passaria horas aqui dissertando sobre todas as normas sociais que se desviam do que é ser correto. Não é meu objetivo. Recentemente vi uma reportagem de um casal homoafetivo que adotou uma criança com problemas motores e de socialização. Isso permaneceu em mim durante um tempo, o que me levou a dialogar por aqui com vocês.

Bem, segue o padrão familiar – mãe, pai, filho – mas quando essa criança não tem nenhum dos dois, ou um outro familiar que a queira, o que resta são os lares de acolhida, alí eles irão permanecer até para serem adotados ou quando não ocorre atingir a maior idade. Quanto mais novos, brancos, saudáveis forem maiores as chances. O “normal” é pertencer a uma família ou Pertencer a um lar adotivo? A segunda opção se for considerada em números deveria ser o “normal” então, porém ela não é.

“Iguais não fazem filho, porém adotam o que diferentes jogaram fora!”, quem não leu esta frase pelas redes sociais? O que chega a ser dolorido. Se todos nós somos iguais, perante a lei, e seguimos as normas sociais de um estado, por que nos é tirado o direito em sua maioria de adotarmos? Quais são as convenções sociais que nos limitam, e fazem um casal heteronormativo terem prioridade na fila de adoção? A menina que foi adotada, tinha 7 anos na época, há 2 anos atrás, foi um processo relativamente mais prático, mas por que?

Se fosse uma criança branca, mais nova e saudável, seria “fácil”? Todas as crianças merecem um lar, avançamos em alguns graus no respeito as diferenças, na adoção, no preconceito, mas ele ainda insiste em estar ali, próximo de nós, do outro lado da rua, dentro da nossa casa. O que não podemos é desistir, esse casal fez a diferença na vida de um ser que necessitava de muito mais do que apenas um lar, amor, a maioria das crianças e adolescentes em lares de apoio pedem amor, minha experiência na área também comprova isto.

Que nossa medida, seja a de não desistir, mas de insistir, para que o comum, seja revisto, para que todos tenham oportunidade por igual, para que possamos fazer valer nossa representatividade, nossos valores, ideias, e que estes possam fazer a diferença para nós mesmos, para os outros e para nossos filhos.

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