23 jun

Uma Mulher Misteriosa – cap. 23

 

Carmem acordou às seis e meia pulando da cama eufórica. Tomou um banho, pegou as chaves do carro e correu para a casa de Marcela.

Foi Giana quem abriu a porta.

– Giana, bom dia! Tudo bem por aqui?

– Bom dia! Sim, está tudo bem.

– Conte-me, Marcela está bem?

– Não muito bem.

– Como assim, ela está doente?

– Não, só está profundamente triste.

– Ah. Ela ainda está no quarto?

– Está sim.

– Vou até lá.

Giana fechou a porta dando um sorriso. Marcela realmente não estava nada bem.

Carmem subiu rapidamente chegando ao quarto. Bateu na porta girando a maçaneta, entrando de uma vez. Marcela estava saindo do banheiro enrolada em uma toalha. Parou fitando-a admirada.

– Carmem? Bom dia! Que surpresa!

– Bom dia, Marcela! Cansei de esperar que me procurasse.

– Ah, ainda é cedo para você se cansar.

Marcela respondeu dando um sorriso tentador. Seus olhos percorreram o rosto de Carmem ganhando vida.

– Acordar e ver você diante de mim é como estar sonhando.

– Hum, quis te fazer uma surpresa. Pulei da cama cedo para chegar a tempo de tomarmos o café da manhã juntas.

Elas andaram uma na direção da outra. Ficaram cara a cara no meio do quarto, próximas da cama, onde seus corpos se tocaram. Seus braços envolveram as cinturas enquanto suas bocas encontraram-se num beijo louco, intenso, desesperado de saudade, de desejo, de necessidade, de paixão e amor, e as sensações que percorriam os corpos delas faziam seus corações bateram mais rápidos, palpitantes, descompassados tamanha eram as emoções enquanto beijavam-se sofregamente apaixonadas.

– Marcela? Você não faz ideia de como sinto saudades suas. Nunca pensei que sentiria tanto a sua falta, que acordaria à noite procurando por você na cama, que pensaria em você a cada segundo…

– Nem eu Carmem, nem eu imaginei que tudo perderia o sentido sem você.

– Você não me ligou, já não sabia o que pensar.

– Falar pelo telefone sem poder te tocar? Não quis sentir essa sensação de vazio. Eu preciso e tenho que sentir você nos meus braços.

– Sim, tem razão, então fez bem em não ligar. Eu não liguei, eu sei. Sabia que se ligasse viria correndo para você.

– Não ligou e está aqui me matando de felicidade.

– Sim, sim Marcela, mil vezes sim. Vim para ser feliz com você por alguns momentos. Ontem fui dormir certa de que correria para te dar um beijo de bom dia. Precisava matar a fome que sinto da sua boca, tenho que saciar essa saudade com os seus beijos.

– Quero tanto você, Carmem.

– Então não espere nem mais um segundo, estou louca para fazer amor. Meu corpo grita de vontade, e a minha boca anseia pela sua o tempo todo.

Dados da autora: Aiiii, é tão lindo elas se declarando, adoro!  

Marcela a puxou para a cama fazendo Carmem sentir a mesma sensação deliciosa que sentia quando vivia com ela e faziam amor naquela cama. Caíram no colchão já se livrando ansiosas das roupas. Seus corpos estavam queimando tamanho era o desejo que as consumia. Beijaram-se. Os beijos, quantos mais trocavam mais sentiam necessidade deles. Aquela excitação latente as cegava. Não existia mais aquela Marcela exigente e muito menos a Carmem que se sujeitou tanto às cobranças dela. Eram uma só, com seus corações batendo juntos. Este era o amor na sua essência mais pura, completo, intensamente dividido nas bocas que se devoravam.

A boca de Marcela mordiscou a de Carmem enquanto ela pedia.

– Abre as suas pernas para mim.

– Abro Marcela. Vem, preciso ser tua para saciar este desejo que você plantou em mim.

– Você é minha?

– Marcela, você sabe, estou aqui com você.

– Sim, eu sei.

Os olhos de Marcela cintilavam enquanto Carmem entreabria as pernas olhando lascivamente.

– Vem… Faça-me sua.

Marcela enfiou-se entre as pernas delas beijando os seios com prazer.

– Ah, Marcela… A sua boca provoca loucuras em meu corpo… Marcela? Eu preciso de você…

– Carmem…

Marcela deslizou o corpo passando a língua na buceta que escorria completamente encharcada. Lambeu-a deliciada, fazendo os quadris de Carmem se elevar diante de seus lábios.

– Aiiii… Te quero tanto, Marcela…

A língua falava por Marcela enquanto acariciava toda a buceta numa busca frenética. Corria solta, doidamente lambendo o clitóris, chupava-o e soltava escorregando, enfiando-se em todos os cantos, dando um prazer maravilhoso para Carmem.

– Oooo… Aiiiiii… Amo sua língua…

A resposta ainda eram as chupadas deliciosas de uma Marcela louca de saudades. Sua língua estava fazendo uma festa incrível dentro de Carmem.

– Aiiii, eu vou…

A boca chegou ao clitóris chupando-o intensamente.

– Vou… Vou gozar… Aiiiiiii… Que delícia…

Marcela agarrou a cintura dela passando a chupar com maior rapidez.

– Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…

Marcela bebeu o gozo com imenso prazer. Lambeu cada gota subindo pelo corpo dela. Roçou os lábios dela perguntando excitada:

– Sentiu gostoso?

– Foi delicioso. Dá um beijo, dá? Deixa-me sentir o meu gosto na sua boca.

Marcela beijou-a deixando sua língua deslizar no interior daquela boca. Carmem acolheu a língua chupando-a com fome. Era assim que desejava os lábios de Marcela, sentia fome deles, adorava-os.

– Quero que goze na minha boca.

– Sim, eu preciso, venha cá.

Marcela relaxou sorrindo, enquanto Carmem deitava sobre ela roçando seus corpos.

– Eu tenho tanta saudade de deitar assim sobre o seu corpo.

– Eu sonho com isto.

– Vou te chupar do jeito que você gosta.

– Chupa, eu sou sua Carmem.

Carmem abriu um sorriso lindo revelando.

– Eu também sou sua Marcela.

Quando terminaram de fazer amor, tomaram um banho juntas e desceram para tomar o café da manhã. Estavam ambas sorrindo como duas bobas. Giana as serviu percebendo o clima de felicidade.

Marcela pensou em contar que iria jantar na casa dela, mas não falou. Conversaram sobre elas, depois Marcela a levou até à porta, beijando-a profundamente.

À noite Alice estava notoriamente feliz. Serviu uma rodada de drinques para as filhas falando sem parar da amiga maravilhosa que elas iriam conhecer. Carmem estava muito calada num canto do sofá. Estava recordando a manhã maravilhosa que viveu com Marcela. A preocupação por ela não a ter procurado durante aqueles dias evaporou depois de uma calorosa conversa na cama e depois enquanto tomavam o café da manhã.

Agora estava saboreando o drinque ouvindo a mãe desmanchar-se em elogios da amiga que estava para chegar.

Ouviu o som da campainha vendo a mãe dar um salto da poltrona sorridente.

– Por favor, não se assustem com a beleza dela!

Pediu Alice dramaticamente.

– A coitada pode se sentir deslocada. Finjam que não perceberam.

A criada entrou acompanhada de Marcela. Alice correu para cumprimentá-la.

Laura ergueu-se a olhando com um sorriso de admiração. Carmem também se ergueu sem acreditar em seus olhos. Marcela estava usando um vestido preto, sexy, decotado, lindo. Os sapatos de salto alto, também pretos a deixaram mais elegante. Estava um pouco mais alta do que era na realidade, mas foi um detalhe que realçou sua elegância sempre marcante.

Alice puxou-a pela mão apresentando-a primeiro para Laura.

Só então aproximou de Carmem falando cheia de orgulho.

– Esta é Carmem! Ela não é linda, Marcela?

Carmem olhou da mãe para Marcela estendendo a mão totalmente embasbacada.

– É um prazer conhecê-la, Carmem! É tão bonita quanto sua mãe falou-me.

– Obrigada. Muito prazer, Marcela!

Alice arrastou Marcela para o sofá. Laura foi preparar os drinques no barzinho. De lá bateu os olhos nas pernas maravilhosas de Marcela. O racho do vestido abriu-se quando ela sentou expondo parte das pernas. Laura segurava a garrafa completamente imobilizada com aquela visão. Carmem aproximou-se dela neste momento. Parou na frente dela tampando sua visão.

– Se não se importa eu a vi primeiro e cuidado que mamãe vai perceber que você gosta de mulheres.

– Só estava admirando as pernas delas. Até uma semana você estava praticamente casada e agora se animou toda com a chegada de uma estranha.

– Não estava casada, estava sendo feliz. Segundo eu percebi, mamãe está jogando Marcela para cima de mim. Não tenho nada contra.

Contou abrindo um sorriso de canto a canto da boca.

– Tudo bem. Sorte sua mãe trazer uma mulher para você, mas, notou que ela tem o mesmo nome da mulher com a qual você estava?

– Achei essa coincidência simplesmente deliciosa! Vou tratar de aproveitar.

Respondeu indo juntar-se a Marcela e sua mãe no sofá.

Alice voltou-se para Carmem perguntando eufórica.

– Eu te contei que nós nos conhecemos no hospital?

Carmem abriu a boca sem emitir nenhum som. Alice continuou falando, monopolizando a conversa animadíssima. Marcela, Carmem e Laura bebiam seus drinques sem ter a chance para falar. Novamente Alice voltou-se encarando Carmem sugestiva.

– Dá para acreditar que Marcela é solteira? Pode imaginar uma mulher bonita como ela passando as noites de sábado sozinha em casa?

Não só nas noites de sábado, Carmem pensou sem desviar os olhos dela.

Os olhos de Carmem cruzaram com os de Marcela. A mágoa que percebeu por uma fração de segundos neles pela manhã tinha desaparecido por completo. Havia ainda um resquício de tristeza naqueles olhos e sabia a razão, estava triste por estarem separadas. Marcela a queria de volta na casa dela. Os olhos que sempre achou triste e melancólicos enfiaram-se dentro dos seus deixando que visse toda a sua emoção.

Os cabelos grandes e negros estavam soltos. Ela estava mais bonita do que estivera naquela manhã. Seu coração acelerou no peito e a sua real vontade era de agarrar a mão dela e correr para o seu quarto.

Alheia aos seus pensamentos, Alice comentou surpresa com o silêncio dela.

– Carmem? Estou falando com você.

– Eu ouvi mamãe.

Respondeu olhando-a carinhosamente.

– Deve ser terrível mesmo passar as noites de sábado sozinha em casa.

Lembrou-se das tantas noites de sábado em que se amaram loucamente, esquecida do mundo, dos problemas que as envolviam, principalmente dos sentimentos adversos que a fez desprezar Marcela por tê-la obrigada a se tornar sua amante.

Alice sorriu pegando a mão de Carmem contando sofredoramente.

– Você não faz ideia o quanto Carmem sofreu, Marcela! Ainda está se recuperando do trauma com a nossa ajuda. Não desejo a ninguém tudo que ela teve que suportar naquela situação.

Carmem olhou chocada para a mãe. Do que ela estava falando? Aquilo era uma fantasia da cabeça dela. Não teve que suportar nada muito menos falou a ela sobre algum tipo de sofrimento que tenha passado com Marcela. Desde o primeiro encontro ficou profundamente excitada e envolvida por ela. Voltou e quis voltar cada um daqueles dias para os seus braços. Assustou-se quando se deu conta que estava sentindo emoções profundas. Tinha ficado paralisada quando a mãe falou que estava apaixonada ou provavelmente, amando Marcela Alvarez. Morria de medo de gostar dela porque temia que ela só desejasse o seu corpo como deixou claro. Agora não, agora tinha plena certeza dos seus sentimentos. Amava Marcela! Amava e não iria viver sem ela. Por isso estava chocada com as palavras da mãe. Ela não tinha o direito de inventar aquelas inverdades.

Marcela estava sentada ouvindo os absurdos que Alice contava. Seus olhos estavam fixos em Carmem. Ela simplesmente não dizia nada.

– Sempre cuidei dos meus filhos da melhor forma possível. Carmem fez o que tinha que fazer para nos salvar. Não contamos a Ricardo nem a Laura toda a verdade para não deixá-los tristes.

– Mãe? O que aconteceu com Carmem realmente?

Laura questionou boquiaberta sem esconder a surpresa depois de ouvir aqueles fatos.

Alice a fitou contando de uma vez.

– Marcela Alvarez obrigou Carmem a se tornar sua amante para nos ajudar.

– Oh!

– Isto agora acabou!

Alice anunciou aliviada.

Laura encarou Carmem perguntando chocada.

– Ela é mesmo uma criatura deformada e cheia de feridas? É uma vampira como dizem?

Carmem encarou a irmã com um ar divertido.

– Pareço ter me transformado em uma vampira?

– Não entendo. E quanto a todas as coisas que falam dela?

– Não passam de calúnias, Laura. Coisa de gente desocupada, você sabe.

Marcela sorriu neste momento fitando Laura curiosa.

– Acredita mesmo nestas histórias que as pessoas contam?

– Se ela não é como falam porque nunca mostrou o rosto?

– O que você acha Alice?

Marcela perguntou olhando para a sogra ainda com uma expressão divertida.

– Não sei. A verdade sobre ela somente Carmem sabe. Conte filha, conte para nós. Como que ela é na verdade?

– Marcela é só uma mulher diferente.

Respondeu sorrindo. Seus olhos cruzaram com os de Marcela.

– Não acham que devíamos jantar agora? Estou ficando morta de fome!

Laura sugeriu percebendo a troca de olhar entre Carmem e Marcela.

Alice se ergueu contando que iria servir o jantar. Chamou Laura levando-a com ela. Carmem olhou em volta perguntando baixo para Marcela.

– Desde quando conhece a minha mãe?

– Desde que a minha tia Telma chegou.

– Por que não me contou?

– Ia te contar hoje enquanto tomávamos café, mas achei melhor que fosse uma surpresa. Não gosta de surpresas?

– É claro que gosto de surpresas, mas nunca imaginei que você apareceria nesta casa. Ainda mais depois que sumiu a semana toda.

– Não sumi, não seja injusta. Apenas esperei que me ligasse. Fiquei imaginando se iria gostar de me ver aqui. Você ainda não fala dos seus sentimentos.

– Deixei claro que gosto do que temos. Esqueceu? Pensa que não sinto saudades? Por acaso não me conheceu nenhum pouquinho?

– O que o silêncio sempre fala por você.

– Marcela? O nosso silêncio não foi um crime, não me condene que eu não condeno.

– Você faz ideia do que se tornou a minha vida sem você?

– E a minha, você faz ideia?

– Ah, só quero estreitar você nos meus braços e te amar, te amar muito. Sem pensar ou me preocupar se a sua mãe vai gostar ou não. Só preciso ter você de volta, Carmem.

– Estou louca para te beijar.

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