16 jun

Uma Mulher Misteriosa – cap. 22

                  Laura estava deitada com Anne, sua namorada. Tinham terminado de fazer amor. Anne abraçou-a falando toda carinhosa:

– Tem algo te preocupando. O que é?

– É a Carmem. Ela está desconfiada, acha que eu sou lésbica.

– O que tem isto? Ela também é!

– Eu sei amor, mas fico pensando na minha mãe. Duas filhas lésbicas me parece demais para dona Alice. Estou refletindo se conto ou não que eu sou também. Talvez seja melhor não contar, ao menos por agora.

– Só para não decepcionar a sua mãe? Você nem sabe como ela vai reagir.

– Ainda assim não seria o mais certo a fazer?

– Vai se imolar? Tem certeza disto?

– Poxa, Anne, não é por aí.

– Amor? Claro que é! Se você vai abdicar do direito de assumir sua orientação sexual, é claro que é.

– Todo mundo vive a se imolar, querida. Tantas vezes nem o sabem que o fazem. Eu só estou sendo cautelosa com a minha mãe.

– Você me ama não ama?

– Claro que eu te amo.

– Então se lembre de que não estou te pedindo nada. Se você decidir se assumir vou adorar, se não, vou te amar do mesmo jeito.

– Bom, não quero passar a vida me esquivando das perguntas de Carmem nem fugindo da curiosidade da minha mãe. Ela está arrasada com essa coisa do Ricardo. Também com o estado de saúde de papai. Carmem me contou que ele foi desenganado pelo médico.

– Ah, amor, eu sinto muito.

– Já chorei tanto depois que ele foi internado.

– Eu sei que a sua mãe e Carmem nem fazem ideia do quanto você também sofre.

– Tenho você para me apoiar.

– Tem sim. Estou do seu lado para o que você precisar.

– Eu sei que você quer muito ser apresentada à sua sogra. Não vou te negar este gostinho. Vou acabar contando por você, e também por mim. Não me agrada viver uma relação escondida, como se fossemos duas criminosas.

Anne abriu um largo sorriso beijando os lábios de Laura apaixonada.

– Você me conhece demais. É claro que eu quero conhecer a sua mãe. Nunca neguei isto.

– De qualquer forma preciso vencer o medo que sinto da reação que ela possa ter. Ela não suporta a mulher com a qual Carmem se envolveu. Se ela não gostar de você vai ser um desastre.

– Você sabe por que não a suporta?

– Não faço a menor ideia. Só sei que Carmem está loucamente apaixonada. A expressão dela quando pergunto sobre a mulher, você não faz ideia como ela ficava toda mexida. O interessante é que ela não precisa confessar o que sente, eu percebo só de olhar para ela. Estou certa que foi assim que a nossa mãe intuiu também. Entende?

– Claro que entendo. Acho que a sua irmã parece saber o que quer. Ela está mais do certa.

– Eu também sei o que quero. Eu quero ter uma vida com você e vou ter.

– Assim que se fala.

Anne desmanchou-se deitando sobre Laura.

– Sabe o que eu acho lindo em você, Laura?

– O quê amor?

– Seus olhos quando brilham denunciando sua excitação.

– Estes meus olhos que me traem, já imaginava.

– Imaginava nada minha mentirosinha linda. Quero você, quero tanto…

Anne confessou acariciando os seios dela.

– Eu também te quero Anne…

– Você é a minha vida. Cada vez que fazemos amor, parece ser a primeira vez. É sempre especial. Eu me imagino velhinha chegando à sala, vendo você mudando os canais da televisão, lendo um livro ou jogando paciência. Entro te perguntando se deseja beber uma xícara de chá. E você balança a cabeça, e sorri para mim, respondendo: Vamos beber um cálice de “Amaretto Dell Orso.” Pegue para nós e venha sentar comigo. Quero ler um poema para você.

– É mesmo? Eu vou preferir um cálice de licor a uma xícara de chá? Hum, já estou imaginando a cena.

– Sim, e você será uma idosa linda. Elegante, maquiada, cheirosa, sedutora, carinhosa, o meu grande amor.

– Lógico, não vou abrir mão de me cuidar para te agradar. Vou ter que ser cheirosa para te seduzir. Nós duas cheias de ruguinhas, fazendo amor, aí, agora já estou achando graça. Será que vamos sentir este mesmo tesão?

– Sim, claro que vamos. O amor é afrodisíaco.

– Mas nós sempre poderemos recorrer à pílula rosa, não é?

– Sim, e se uma de nós desmaiarmos ou a pressão baixar, uma vai socorrer a outra. Você já sabe dos efeitos colaterais.

– Hahahahahahaha…

– Hahahahahaha…

– Não te aguento amor. Adoro as suas visões do nosso futuro juntas. Você podia imaginar algo mais recente, tipo, daqui a um ano. Hahahaha…

– Assim perde a graça. Daqui há um ano eu vou estar desfilando de cinta liga para te levar à loucura.

– Essa ideia me parece melhor. Vem cá, eu te amo, Anne Dantas.

– Eu também te amo, Laura Santiago. Você é tudo que eu sonhei para mim.

Notas da autora: Queria descrever a cena de amor das duas, mas o fogão me chama. O almoço aqui de casa não se faz sozinho.

Carmem não viu Marcela nem teve notícias dela durante aquela semana. Segurou-se para não ligar. As lembranças do último encontro em sua sala fazia seu rosto corar. Certamente Marcela devia pensar que ela era muito fácil. Podia possuí-la em qualquer lugar. Não tinha vergonha nem pudores quando estava em seus braços. Na verdade não tinha nada mais, nem seu coração era mais seu. Tinha dado tudo a ela. Precisava conservar o mínimo de dignidade que ainda restava. Uma saudade insuportável a consumia dia e noite. À noite rolava na cama com os olhos fixos no telefone. Marcela tinha enviado suas malas. Isto bastou para deixar sua mãe muito feliz.

Dados da autora: Eu observo muito o comportamento de Carmem. Os sentimentos dela estão muito claros, já agora até para ela própria. É evidente que ela evita revelar os seus sentimentos para Marcela. Lendo a história, no meu caso que estou reescrevendo-a, ficou latente o que a aflige. O facto de ainda dever dinheiro para Marcela a incomoda, embora a força dos seus sentimentos a faça passar por cima dessa questão. Ao mesmo tempo, existe uma coisa chamada insegurança. Aquela insegurança que toda mulher sente quando está vivendo uma relação na qual ainda não aconteceu uma declaração de amor. Então, para quem não compreende a Carmem, ela é só mais uma mulher. Algumas vezes, para compreender uma mulher, uma personagem, a sua personalidade intricada, seus medos, desejos e dúvidas, é necessário ter um pouquinho mais de sensibilidade.

Carmem estava em pé na cozinha. Comia um cacho de uvas observando a mãe colocando a carne no forno. Laura também estava na cozinha. Bebia uma taça de vinho também observando a mãe com o canto dos olhos. Alice estava completamente eufórica.

Carmem deu um suspiro falando baixo.

– Mãe? Queria falar uma coisa com a senhora. Podemos conversar?

Alice se voltou dando um largo sorriso.

– É claro podemos, minha filha. O que você quer falar?

– Eu queria que a senhora soubesse que Marcela não é uma pessoa má.

– Carmem? Por favor, é claro que ela é uma péssima pessoa!

– Não, não é não. A senhora não compreende como eu fui feliz quando morei com ela. Ela é gentil, é doce, é carinhosa. A senhora não a conhece e julgá-la sem conhecer é um erro, mãe!

– Está falando isto porque transavam todos os dias. É natural que julgue que aquilo foi felicidade.

– Não foi só sexo! Sei muito bem o quanto foi maravilhoso. A nossa convivência foi especial, eu…

– Carmem? Não quero ouvir nada sobre aquela mulher! Chega!

– Mãe? Não seja tão dura, por favor.

– Vou subir para tomar um banho. Já desço para jantarmos.

Carmem ficou muda olhando a porta fechar. Sentou numa cadeira sentindo-se horrível por dentro. Uma tristeza que nunca tinha sentido não saía mais do seu peito.

– Carmem? Não fique assim.

– Ah, Laura! A nossa mãe é muito difícil. Não sei mais o que fazer.

– Tenha paciência. Faça como eu.

– Você me parece paciente demais.

– Em algum momento mamãe vai estar mais receptiva, você vai ver.

– Assim espero. Você não dormiu em casa ontem.

– Não dormi mesmo.

Laura sorriu pegando a mão de Carmem.

– Eu também tenho um amor. Talvez a mãe não aceite bem, mas ainda assim vou contar para ela.

– Bem vinda ao clube.

Carmem sorriu piscando o olho.

– Não vai me perguntar quem é?

– Já te perguntei tantas vezes. A hora que você se sentir mais confortável pode me contar.

– Ok.

– Vamos lá para sala? Quero tomar uma taça de vinho antes do jantar.

– Então vamos, eu também quero.

A mãe desceu trinta minutos depois. Estavam jantando em silêncio quando ela comentou fitando os filhos com pesar.

– O natal está chegando e o pai de vocês não vai estar aqui. Acho que ele nunca mais vai voltar.

– Mãe?

– Eu sei Laura. Não precisa falar nada.

Alice resignou-se voltando a comer.

Carmem afastou o prato praticamente cheio fitando a mãe carinhosamente.

– Se a senhora não quiser não faremos nenhuma comemoração neste final de ano.

– Eu ainda não sei. Não sei mesmo o que vamos fazer.

– Pense e me diga o que decidir.

– Será que temos algo para comemorar?

Perguntou fitando os três. Um suspiro geral encheu a sala e ninguém falou nada.

Carmem correu os olhos no telefone disfarçadamente.

Alice afastou a cadeira comentando baixo:

– Vocês vão me dar licença, mas vou dar uma saída. Preciso arejar a cabeça. Eu não demoro.

A mãe saiu e Laura comentou com Carmem.

– Nunca ouvi isto da mãe arejar a cabeça, essa nova.

– Ela está muito triste por conta do estado de papai.

– Mas é estranho, ela nunca saiu depois do jantar.

– Não sei de nada. Eu vou para o meu quarto.

Ricardo comentou se erguendo.

– Você não se importa, não é, Ricardo?

– Não me importo com o quê?

– Com a nossa mãe, é lógico!

– Ah, Laura, sai fora!

Ele subiu e Laura comentou com Carmem.

– Viu só como ele é? Mamãe ainda corta um dobrado por este menino.

– Ele é adolescente. Essa chatura vai acabar passando. Nós também fomos adolescentes um dia.

– Fomos! É lógico que fomos, mas eu não me recordo de termos sido insuportáveis como ele é. Ricardo é completamente fora da realidade.

– Adolescentes como ele só querem saber de sexo, droga e rock. A realidade é essa.

Carmem respondeu lembrando-se da noite em que Marcela falou isto com ela.

– Sexo e rock são tudo de bom. A droga só o estragou mais. Será que ele tem um estoque de maconha escondido lá no quarto?

– Toda a maconha que ele tinha a mãe jogou no vaso sanitário. Ela passou um pente fino naquele quarto que não sobrou nem traças por lá.

– Fez muito bem, cansei de dar de cara com ele noiado aqui dentro de casa. Olha que ele chapado dá vontade de bater hahahaha.

– Imagino hahahahaha. Você não vai sair?

– Você vai?

– Bem que eu queria. Ficar dentro de casa está me matando.

– Ficar sem transar está te matando. Essa é que é a verdade!

Laura respondeu brincando com os cabelos dela.

– É por aí.

– Por que você não aproveita que mamãe saiu e não vai dar uma rapidinha com ela?

– Agora não, mas de amanhã não escapa. É engraçado isto, a gente acostuma com a presença, com os carinhos, com a atenção e é natural, com o prazer. Você também é assim?

– Sou… Quero dizer, ficar sem sentir prazer é difícil, eu não gosto de negar essa alegria para o meu corpo.

– Não seja boba.

Carmem comentou rindo com ela.

– Estou falando muito sério. Amo sentir prazer.

– Eu também, mas me diga: Você toma anticoncepcionais?

Laura sorriu olhando-a atentamente.

– Você é doida para saber com quem eu transo, não é?

– Claro que sou. Eu não vejo nada demais em você me contar.

– Até que te entendo, eu também tenho curiosidade sobre você. Essa mulher com a qual você morou, por que mamãe a detesta?

– Por que mamãe é superprotetora, ela pensa que Marcela me fez sofrer muito.

– E fez?

– Sabe quando você pensa que está entrando no inferno e quando chega lá não é mais o inferno, é uma espécie de paraíso?

– Ah, sim, claro, conheço essa sensação! Mas isto é bom, é mesmo muito bom.

– Sim, é bom demais!

– E você abriu mão do paraíso porque mamãe não gosta dela? Tem certeza de que vai conseguir ficar longe?

– Não abri mão. Voltei porque mamãe está muito frágil com essa coisa do Ricardo e também porque pai está entrando na reta final.

– Nosso pai está morrendo, isto me deixa inconformada. Agora que você salvou a fábrica e tem dinheiro para pagar um tratamento completo, não tem mais jeito.

– Sim, o médico disse-me que não pode fazer mais nada por ele.

– Meu Deus! Rezei tanto para que ele voltasse para casa.

– Eu também, mas o caminho que papai vai trilhar será outro, infelizmente.

– Ah, Carmem, eu… Vou sentir tanto…

– Eu também. Vem cá.

Carmem falou puxando-a para os seus braços ao perceber as lágrimas saltando dos olhos dela.

Marcela entrou no restaurante, trinta minutos depois olhando para todas as mesas. Viu Alice Santiago acenando de uma mesa. Seguiu na direção dela com um largo sorriso.

– Olá, boa noite! Satisfação em revê-la.

Cumprimentou beijando-a no rosto.

– Olá, boa noite! Desculpe ter ligado tão tarde. Estou me sentindo péssima. Precisava desabafar ou iria acabar ficando louca.

– Eu a entendo. Não tem problema.

Marcela estendeu as mãos apertando as dela afetuosamente

– O que foi que aconteceu para afligi-la mais?

– Aconteceu tudo, mas nada de bom. Meu marido ainda está no hospital sem esperanças de melhora. O médico disse-me hoje que não podem fazer mais nada por ele.

– Posso imaginar o quanto deve ser difícil para a senhora aceitar isto.

– Eu me sinto como se fosse ao velório dele todos os dias.

Marcela a deixou desabafar e chorar sem interrompê-la. Quando Alice acalmou-se, voltou a falar envergonhada.

– Sinto muito por essa cena, desculpe. Eu precisava desabafar.

– Não se preocupe com isto.

– Lembra-se do meu filho? Contei que estava envolvido com drogas.

– Contou sim.

– Ele foi preso, uma coisa horrorosa! Não faz ideia como me senti mal o vendo naquela delegacia.

– Lamento muito.

– Por causa disto a minha filha voltou para casa. Mas, graças a Deus está esquecendo aquela mulher que lhe fez tanto mal. Não ligou mais para ela, isto é uma vitória para mim.

Marcela sentiu uma dor no íntimo ao ouvir aquilo.

– Acredito que as coisas irão melhorar. Virá um tempo mais feliz para a senhora.

– Você nem sabe o meu nome e nem eu sei o seu.

Alice comentou sorrindo sem graça.

– Sou Alice e você, como se chama?

Marcela pensou se devia inventar um nome, mas preferiu ser sincera.

– Marcela.

– Marcela? Que coincidência absurda! Aquela mulher também se chama Marcela.

– É muita coincidência mesmo.

Respondeu reservada.

– Você me disse que não é casada. Ainda continua solteira?

– Continuo.

– Não aprecia o casamento? Não quer ter filhos?

– Apenas tenho uma orientação sexual diferente. Quanto a filhos, nunca pensei seriamente sobre o assunto, mas não tenho nada contra.

– Ah, sim! Eu percebi que você não pareceu chocada quando lhe contei no hospital que a minha filha é lésbica. Fiquei pensando se…

– Pensou acertadamente, eu também sou lésbica. Imaginei que isto não chocaria a senhora, já que a sua filha também é.

Justificou orgulhosa.

– Oh, não me choca em nada, muito pelo contrário. Eu a aceito a minha filha como ela é.

– Que bom que é assim.

– Você não faz ideia como eu gostaria de ver Carmem feliz com uma mulher boa, não com aquela aproveitadora!

– A senhora acha que ela não ama aquela mulher?

– Oh, por deus, não me diga uma coisa dessas! Espero eu que não! Isto seria o mesmo que pagar até pelos pecados que nem cometi! Jamais houve sentimentos entre elas. Desde que voltou para casa Carmem nunca mais tocou no nome dela nem foi vê-la. Isto só prova que já a esqueceu. Carmem precisa conhecer uma mulher diferente daquela mulher misteriosa. Alguém que saiba ser amiga. O que você acha de ir jantar lá em casa amanhã? Se não tiver nenhum compromisso vou adorar recebê-la. Quero muito que conheça os meus filhos.

– Será um prazer ir jantar na sua casa.

– Você não sente falta de ter uma namorada?

– Sinto, mas hoje em dia é difícil encontrar uma pessoa queira investir em um relacionamento sério.

– Ah, que coincidência! Mal posso acreditar, porque Carmem também sonha com um relacionamento sério. Pode estar certa que Carmem está disposta a investir em uma relação que dê frutos.

Alice garantiu sem esconder a animação que estava sentindo.

– Se Carmem gostar de mim e eu também gostar dela, quem sabe, não é?

– Oh! É óbvio que Carmem vai gostar de você. Que eu saiba a minha filha ainda não ficou cega.

– Bem, mas aparência física não é tudo, Alice!

– Não mesmo, mas você me parece uma mulher cheia de qualidades.

– Também tenho defeitos.

– Oh, isto é bobagem, todo mundo os tem. Deixe só até Carmem colocar os olhos em você. A verdade Marcela, é que Carmem é uma mulher extremamente romântica e ela sonha em ter um grande amor. Ela nunca seria feliz vivendo um relacionamento exclusivamente sexual. Sei que o sexo é primordial em uma relação, mas só sexo? Chega a ser ridículo! Não, a minha filha quer muito mais. Ela precisa ser amada. Você me entende, não é?

– Sim, entendo. Eu também quero ser amada.

– Que ótimo! Deixa que eu te conte um pouco mais sobre Carmem. Ela costuma ser discreta demais quando tem um relacionamento. Eu nem sei se ela se abre muito na intimidade, mas eu aposto que você vai saber fazê-la se abrir. Logo que eu me casei, eu também era assim, mais fechada, sabe? E o meu marido era muito amoroso. Então é lógico que fui mudando com o tempo. Em um relacionamento isto é muito importante. E Carmem, cá para nós, ela gosta de sexo como toda mulher gosta. Sim, é uma verdade. Não só de sexo, obviamente. O carinho também é muito importante. Tem que ser bem balanceado, você não acha?

– Sim, é claro que acho.

– Estou percebendo que posso falar com mais intimidade para você, sobre a minha Carmem.

– Pode sim, Alice. Fique à vontade.

Marcela ficou quieta ouvindo-a fazer mais elogios a Carmem. Estava sentindo um alívio imenso por saber que iria vê-la no dia seguinte no jantar. Tudo o que mais queria era ser aceita por Alice, para poder amar Carmem em paz. Meio caminho já estava percorrido. Depois, quando Alice descobrisse que ela era a Marcela que ela detestava, iria deixar por conta do destino.

Continua…

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